
Após anos de discussão académica, querelas e contra-argumentações, já no fim do século 20, início do 21, um grupo de "medical experts" (médicos espertos ?) chegou a consenso sobre a definição de síncope (vulgo desmaio). Definiram síncope como a perda expontânea do conhecimento, acompanhada de perda do tónus postural, com duração breve e recuperação sem sequelas. Mesmo esta definição aparentemente abrangente é ainda contestada no seio da Medicina moderna - ou seja por médicos menos espertos, que não fizeram parte do painel.
Nos momentos que precedem a síncope são, com frequência, descritas sensações de coração acelerado (“já se ateia em meu peito a chama”), com um ritmo por vezes irregular (“suspiros do coração confuso”), a voz fraqueja, fica entaramelada (“da falla perco o uso”), a visão turva fica, as vozes tornam-se distantes (“quanto escuto, no ouvido se confunde”), a força muscular esvai-se (“perplexo caio”)…
Há mais de dois séculos, D. Francisco Manoel de Oliveira, professor da Aula Publica de Filosofia, tradutor e poeta, publicava por volta do ano de 1793, na sua cidade natal (o Funchal), esta ode a Marília…
Apenas eu te vejo, eis já se atêa
Em meu peito, a mais viva e subtil chama
Que correndo velóz de vêa em vêa
Promptamente em meu corpo se derrama;
E entre a doce alegria
Em que a minha alma errante se extravia,
Da falla perco o uso,
Suspirros fórma o coração confuso.
Huma nuvem espessa se diffunde
Sobre a turvada vista; entre o desmaio
Quanto escuto no ouvido se confunde,
Em doce languidêz perplexo caio;
Pállido sem allento,
Sem tino, sem vigor, sem sentimento,
Em vão peço socorro;
Hum tremor me accommette: eu caio…
Eu morro.
Ok, tirem o “eu morro”, situação inusitadamente rara no contexto de uma síncope vagal, mas de um poeta… que esperar senão uma morte por amor…
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