sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Langerhans e o Cemitério Inglês




Paul Langerhans foi um cientista famoso apenas após o seu tempo e contudo o seu nome tornou-se imortal. Nasceu em Berlim e seguiu a profissão do pai, também médico. O seu nome fica ligado a duas estruturas distintas no corpo humano. São famosos os ilhéus de Langerhans, conglomerados de células no pâncreas onde se produzem hormonas como a insulina. Menos conhecidas mas importantes na resposta imunitária da pele, a nossa primeira barreira, são as células de Langerhans identificadas pelo próprio, apesar de pensar que eram células pertencentes ao sistema nervoso.

Foi viver para o Funchal em 1875, atraído pelo clima ameno e pela fama que a Madeira tinha como ideal para a cura da tuberculose que entretanto contraíra. Durante a sua estadia exerceu clínica, investigou a fauna local (sobretudo os vermes marinhos) escreveu apontamentos sobre a metereologia local e recomendações para caminhantes. Veio a casar com a viúva de um dos seus doentes, o que ainda hoje daria que falar. O casal terá arrendado então uma das mais belas casas do Funchal, a Quinta Lambert, hoje conhecida por todos como Quinta Vigia e que é a residência oficial do governo regional. Morreu aos 41 anos por falência renal e foi soterrado no cemitério inglês do Funchal.

O British Cemetery foi criado em 1761 quando a colónia inglesa crescera tanto e tinha tanto poder que o reino autorizou a compra pelos ingleses de um terreno fora das muralhas do Funchal de modo a que os protestantes pudessem ser enterrados em terra. Antes disso estavam proibidos de ser enterrados em solo católico e eram atirados ao mar na ponta do Garajau. Curiosamente o cemitério confina hoje com os jardins do bispo, a autoridade maior da Igreja Católica na região.
Quando miúdo a janela do meu quarto debruçava-se sobre um frondoso jardim e só tarde percebi que as copas das árvores ocultavam as campas desses "infiéis" entre as quais se encontra o Langerhans. Aparentemente este já tinha escolhido este local referindo-se a ele como “a true graveyard, isolated and quiet, a good place to rest”.


1 comentário:

  1. Uma surpresa para mim. «Ninguém» sabe da vida de Paul Langerhans. Sabemos, tão só, aquilo que disseste: «Ilhéus» e «Palissadas».
    Com «Ilhéus» conviveu até ao fim.
    Fora das «Palissadas» foi enterrado (soterrado, ahh... desculpa)
    Muito bom!

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