terça-feira, 19 de maio de 2015

Aprendi com um amigo Dominicano que eles são a ordem dos  pregadores por natureza. A palavra, também é usada como ferrramenta  na medicina. Para ensinar, para dar alento, para descobrir a causa de um mal. 

Mas mais forte do que a palavra é o exemplo, contrariando o ditado hipócrita do "faz o que digo ..."  Nem sempre é fácil estar do lado do oprimido, do mais fraco e  de quem sofre. Pequenos gestos podem mudar percursos, mas os grandes gestos devem ser recordados como exemplo.

Há tempos, em plena comemoração pelo final da segunda guerra mundial, entrei numa igreja no centro histórico de Varsóvia. Dominicana por sinal. Igreja simples, desinteressante até. Preparava-me para sair, quando um cartaz em inglês pedia a atenção. Descrevia os acontecimentos da revolta de 44.

Nesse ano e  com os Russos já às portas da cidade, os Polacos sublevaram-se contra a ocupação nazi. As forças eram desiguais e o combate intenso, esperando o apoio do exército vermelho que nunca chegou. A luta era  alimentada pelo ódio e ressentimento pela perda das dezenas de milhar de habitantes da cidade presos ou mortos. Só no gueto de varsóvia terão sido aniquilados 350000 judeus ( mais do que a população de Santarém, Setúbal e Coimbra  juntos ) .

A vitória da resistência foi parcial e fugaz. Algumas zonas da cidade hasteavam a sua bandeira, mas outras mantinham-se dominadas pelos nazis. A resposta de Hitler foi brutal. Quis mostrar ao resto da Europa um castigo exemplar e a resposta foi arrasar a cidade. Todo os edificios com significado histórico para os Polacos foram marcados e dinamitados. Os restantes quiemados. Noventa % da cidade foi arrasada. 

Durante a  revolta foi montado um hospital de campanha na igreja. Quando ocorriam os bombardeamentos, muitos dos vizinhos  procuravam abrigo sob as suas  paredes e mais de mil foram mortos quando a  igreja foi atingida. Era contudo imperioso que a ajuda prosseguisse e o hospital continuou,  sabe-se lá em que condições. Não havia literalmente outro remédio.

No dia 2 de Setembro de 1944, cerca de um mês após o início da revolta, os nazis invadiram a igreja. Começaram por fuzilar todo o corpo médico e de enfermagem. Depois os restantes... 



No fim da guerra quando foram recuperar as ossadas, a desordem era tal que não se conseguiam identificar os corpos. Optaram por colocar um novo piso sobre esses restos. 

Um novo começo, sobre um passado inexplicável e terrível. Que não pode ser esquecido.





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