quarta-feira, 4 de julho de 2012

Maritimo sempre

Sempre fui verde-rubro. O Marítimo esteve no coração do meu avô, do meu pai, está no dos meus irmãos e  até passou alguma dessa paixão para os meus filhos e sobrinhos. As nossas cores são as da República, escolhidas pela razão de que à nascença todos somos iguais e temos os mesmos direitos. O nosso símbolo é o leão do Almirante Reis, nobre sem igual.

A história diz-nos que fomos campeões de portugal em 1925/26. Ganhámos na meia-final ao Porto por 7-1. E na final 2-0 ao Belenenses.  Uma façanha. Cita o site do Maritimo:

"O aspecto do campo quando faltam poucos minutos para começar o encontro é magnífico", relata o correspondente d´‘Os Sports’. E prossegue: "Camarotes, bancadas, recinto dos peões – tudo a transbordar. Respira-se a atmosfera de ansiedade; pelo interesse do jogo e pela curiosidade de presenciar a atitude do público". Quando falta muito pouco para as 16 horas, o Marítimo entra em campo. É acolhido com simpatia. Os jogadores madeirenses correspondem com ‘hurras’.

E com que equipa. Apresento-vos da esquerda para a direita o Zé Pequeno, o Ortega, o Janota, o Beiçolinhas, o Ranfão, o António Alves, o Bisugo, o Fancheca, o Patas, o Mariazinha e o Camarão.



Estes nomes emocionam. A pinta do Janota a meio-campo, a classe do Ranfão ou do Patas a entrar de carrinho, a arte do Mariazinha a fazer-se ao penalti, o Beiçolinhas a dialogar com o árbitro, as triangulações entre o Bisugo, o Fancheca e o Camarão...


Deuses dos estádios...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A árvore de Cajal

Milhares e milhares. Comunicando, "pulsando", emitindo. São assim os neurónios, transmitindo os impulsos que nos fazem, pensar, temer, odiar, amar, sobreviver.
No inicio pensava-se que eram vasos. Foi Ramon y Cajal que chegou a conclusão do que eram na verdade.
Grande desenhador ilustrou as suas observações de uma forma meticulosa e que ainda hoje servem de modelo rigoroso do sistema nervoso.
Como numa árvore, as ramificações surgem dispersando-se como deltas de um rio. Também assim procura a luz esta árvore Lisboeta neste Inverno soalheiro






segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Luz


Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta, 
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter, 
Pergunto a mim próprio devagar 
Porque sequer atribuo eu 
Beleza às coisas


Alberto Caeiro

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Freak Out

Passei algumas noites perdidas à porta de discotecas porque com alguma frequência (alguma) não me deixavam entrar. O porteiro das Vespas, a discoteca de moda no Funchal dos meus 16-17 anos era um mastodonte qualquer, para o qual éramos transparentes. O Luis "Baltazar", grande companheiro, e eu, tínhamos o costume de ir bater à porta só para o ouvirmos dizer que não entrávamos porque não éramos clientes habituais. A isto seguia-se um debate pouco filosófico sobre a contradição inerente às suas palavras e alguns comentários profundos sobre o que nos ia na alma. O cenário repetia-se com frequência ( alguma frequência).

Nos anos 70 abria em Nova Iorque o Studio 54. A discoteca era um sucesso brutal desde que o Mick Jagger oferecera à mulher uma festa privada para os seus 40 anos em que a Bianca apareceu na festa montada num cavalo branco, acompanhada por um negro vestido apenas com a pintura de um smoking. As filas à porta tornaram-se intermináveis e passar pelo porteiro era como um político passar à primeira pelo crivo do S Pedro na porta do Studiofinal. Selecção rigorosíssima. Tão rigorosa que os componentes dos Chic, aqueles do disco sound, foram barrados à entrada.
Daí nascia a musica Freak Out que todos dançámos em pistas menos grandiosas durante os anos 80. Diz mais ou menos isto:
Just come on down, two fifty four,
Find a spot out on the floor
Ah, freak out
Le freak, c'est chic
Freak out

Parece que versão original dizia f***-off em vez de freak out.

Olha,
eu também mandei muitas vezes o porteiro freak-out.....