Passei algumas noites perdidas à porta de discotecas porque com alguma frequência (alguma) não me deixavam entrar. O porteiro das Vespas, a discoteca de moda no Funchal dos meus 16-17 anos era um mastodonte qualquer, para o qual éramos transparentes. O Luis "Baltazar", grande companheiro, e eu, tínhamos o costume de ir bater à porta só para o ouvirmos dizer que não entrávamos porque não éramos clientes habituais. A isto seguia-se um debate pouco filosófico sobre a contradição inerente às suas palavras e alguns comentários profundos sobre o que nos ia na alma. O cenário repetia-se com frequência ( alguma frequência).
Nos anos 70 abria em Nova Iorque o Studio 54. A discoteca era um sucesso brutal desde que o Mick Jagger oferecera à mulher uma festa privada para os seus 40 anos em que a Bianca apareceu na festa montada num cavalo branco, acompanhada por um negro vestido apenas com a pintura de um smoking. As filas à porta tornaram-se intermináveis e passar pelo porteiro era como um político passar à primeira pelo crivo do S Pedro na porta do Studiofinal. Selecção rigorosíssima. Tão rigorosa que os componentes dos Chic, aqueles do disco sound, foram barrados à entrada.
Daí nascia a musica Freak Out que todos dançámos em pistas menos grandiosas durante os anos 80. Diz mais ou menos isto:
Just come on down, two fifty four,
Find a spot out on the floor
Ah, freak out
Le freak, c'est chic
Freak out
Parece que versão original dizia f***-off em vez de freak out.
Olha,
eu também mandei muitas vezes o porteiro freak-out.....